
"Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda."
-Cecília Meireles-
Vamos contar uma estória... (ficção?)
Certos acontecimentos seriam cômicos, se não fossem trágicos.
Certa vez aconteceu um caso inusitado numa pequena cidade do interior de um país terceiro-mundista; uma cidade dessas de novela que, às vezes, faz lembrar a simpática Macondo de Gabriel García Márquez, numa ridícula mistura com a Sucupira do saudoso Dias Gomes:
Um discussão de mulheres na feira foi parar na delegacia e, como uma delas trazia consigo uma criança de pouca idade que, na confusão, acabou por machucar-se, foram chamados a participar do imbróglio os senhores membros do ‘Colegiado dos Menores’ (o que, se aqui fosse, seria o mesmo que o Conselho Tutelar) que, num país em que os órgãos públicos fazem de conta que existem competentemente, não sabiam patavinas do que fazer e nem como agir em relação ao pequerrucho da confusão; seguiram com a criança até ao presença ‘Grande e Sapiente Quase-Deus da Sabedoria’ (era a designação do cargo – se aqui também fosse, seria o Promotor de Justiça) para que o mesmo resolvesse o que fazer com o pequeno. Ora! Numa sexta-feira à tarde, quando até deus está preparando seu descanso, levar um probleminha desses para desaquietar um sábio... Quanta ignorância.
Depois de muito pensar por longos dois minutos, o Salomão resolveu a questão: já que as mulheres da encrenca não definiam qual das duas era a mão da criança, ordenou ao colegiado que encontrasse uma família temporária para abrigar a criança.
O resultado foi que uma multidão de andarilhos – cerca de 40 deles - (grupo ao qual pertenciam as mulheres e a criança), rumaram para a frente do grande templo-sede da sabedoria (o que aqui corresponderia a um Fórum) em protesto contra a tomada da criança. Nesse meio tempo, já uma senhora que sonhava em ter um bebê em seus braços abrigava o pequeno menino como se seu fosse – e já o tal colegiado trouxera os papeis para o pedido de guarda. Como a turba de maltrapilhos enfeasse o pátio do templo, tratou o grande sábio de escorraçar-lhes dali, tomando para si o papel de Jesus ao expulsar os que degradavam o templo de seu pai, quando soube que os mesmo estavam ‘arranchados’ desde a manhã daquele dia às margem da grande estrada que dava acesso à cidade. Sem ouvir os apelos de uma mãe chorosa e de um pai indignado, chamou a ‘guarda-de-acalmar-povo’ (correspondente local à nossa PM) e ordenou que fossem todos colocados num transporte prontamente arranjado e ‘despejou-os’ numa outra cidade a alguns quilômetros da sua (mas a criança ficou – afinal, uma decisão de um ser supremo não pode jamais ser contestada).
É assim, ainda hoje, que tenta-se naquele país, naquela cidade, resolver-se os problemas sociais: ordem superior, mesmo quando ridícula e descabida, não pode jamais ser contrariada (é que lá não existe democracia e quem chega ao poder logo perde o pudor de empunhar a chibata) e, cidade que se presa, não tem mendingos alojados às vistas dos visitantes. Assim, todos na cidade pensam que moram numa cidade bem guardada, protegida pela Lei e onde as autoridades cheias de títulos e diplomas têm a humildade necessária para lidar com a gente do povo.
*Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fatos, acontecimento e personagens locais poderá ter sido mera coincidência.

Confirmado para o próximo dia
Nos bastidores, porém, já circulam nomes (ainda não confirmados oficialmente) como o da professora Bernardina - atual presidente da Autarquia Educacional – como futura secretária de educação, sendo substituída na AEB pela professora Marleide. Já na secretaria de Ação Social, sai Isabelle e entra Joelma - dando início a uma tradição até aqui inexistente
Isabelle deixa a secretaria para cuidar da saúde, já que nos primeiros meses do ano será submetida a um novo transplante de rim. Sai com a certeza do dever cumprido por ter bem desempenhado o papel que lhe foi incumbido de implantar os programas sociais inexistentes no município até a chegada de João Mendonça ao poder e também de mudar a filosofia até então existente nos trabalhos sociais do município: se, antes do seu trabalho, doavam-se equipamentos de engraxate e carrinhos-de-mão para as crianças trabalharem, passou-se a incluí-las em programas de proteção social.
Sai Isabelle, que já deixa muitas saudades. Chega Joelma, a quem desejamos boa sorte.
