sábado, 30 de outubro de 2010

PALAVRAS DO DIA


“Políticos e fraldas devem ser trocados

de tempos em tempos

pelo mesmo motivo.”

- Eça de Queiroz -

ENTREVISTA AO PAREDÃO DO POVO

Após a publicação completa da entrevista concedida ao blog 'Paredão do Povo' por este blogueiro, disponibilizamos a mesma na ítegra para aqueles que ainda não tiveram oportunidade de ler.



Atenção: aos 'baba-ovistas-não-demitidos-ainda' sugerimos que não leiam a entrevista e deixem de ser masoquistas.

ENTREVISTA AO PAREDÃO DO POVO (íntegra)


1 – PAREDÃO DO POVO: Quem é Nilton Senhorinho?

R: Sou um belo-jardinense nascido e criado nessa terra que tanto amo e quero ver crescer oferecendo boas oportunidades aos seus filhos; sempre gostei de política e nunca fiquei de fora das disputas que decidem os destinos da nossa cidade; aprendi com meus pais (que votavam em Cintra Galvão até o ano 2000) a gostar da política e, desde cedo, fomos (eu e meus irmãos) incentivados a opinar criticamente sobre as possibilidades colocadas como opções para Belo Jardim. Sou daqueles que jamais viu na mudança de cidade a única possibilidade de ter uma vida melhor. Acredito piamente que mais importante e com mais resultados que mudar de cidade, é mudar a sua cidade, cobrar o que falta, exigir melhorias e jamais se satisfazer com o que é colocado pois tudo pode e deve ser melhorado sempre.

2 – PAREDÃO DO POVO:Se sua família votava em Cintra Galvão, o que levou você a votar no Grupo Mendonça?

R: Por ocasião da eleição de 1992 eu não era obrigado a votar - embora já tivesse o direito – e meu pai queria que providenciar meu título para votar em Valdeci Torres, que seria candidato pela segunda vez com o apoio de Cintra. Eu não simpatizava com a candidatura do Grupo Galvão e entendia que alguma coisa precisava ser mexida na administração do município. Embora também não simpatizasse com o Grupo Mendonça (já que a imagem que se passava do grupo para o povo era de um grupo de elitista e coronelesco), resolvi votar em João Mendonça por sentir a necessidade de mudar as pedras no tabuleiro administrativo. Só durante a campanha – na qual me engajei por intermédio de um grupo de amigos que fazia teatro – fui conhecer e simpatizar com o candidato João Mendonça. Aliás, creio que um dos papéis principais de João Mendonça para o Grupo do seu tio foi, exatamente, ganhar a simpatia da juventude, que antes não existia. Até hoje, quando você vê passar uma passeata nas ruas de Belo Jardim, fica nítido que a participação dos jovens é bem maior no Gruo Mendonça que no de Cintra. E este é um dos parâmetros que os adversários do GM terão que quebrar se quiserem reconquistar o poder no município.

3 – PAREDÃO DO POVO:Você foi integrante da equipe de João Mendonça no governo. Quais as diferenças que você apontaria em João Mendonça e em Marco Coca-cola?

R: Não tratarei das pessoas dos prefeitos por entender que pessoas não são definíveis. Elas são o que são e pronto. Agora, se a comparação é entre os governos, eu, como qualquer outro cidadão, posso falar sim.

Nenhum governante vai agradar a todos e uns agradam mais que outros e por aí vai. Mas, há algumas diferenças gritantes entre as administrações. Para começar, quando o governo JM começou Belo Jardim estava completamente abandonada e os primeiros dias de governo serviram para trabalhar no intuito de botar a máquina pública para funcionar, e não para choramingar e ficar paralisado culpando o governo anterior. O governo anterior foi taxado de inoperante? Foi. E muito. Agora ninguém pode dizer que ficou paralisado. Já o atual governo deu uma ‘marcha à ré’ no município e, além de não ter a desculpa de que a cidade estava abandonada, ainda permitiu que representantes seus jogassem sobre o governo anterior a culpa pela inoperância. Além de inoperantes, são covardes. Não tiveram a coragem de virem a público expor alguma irregularidade que porventura existisse e ficaram, como ratos nos esgotos, agindo furtivamente. Ações desse tipo definem bem o tipo de governo que gente assim pode produzir.

Há ainda outras diferenças fundamentais e, entre tantas, vou citar um exemplo claro: quando JM assumiu o governo nomeou como secretária de ação social a senhora Neci Mendonça. Uma das primeiras ações implementadas pela secretaria foi reunir as crianças e adolescentes que trabalhavam como engraxates para organiza-los doando fardamento e material de trabalho aos mesmos. Os comentários foram os melhores possíveis na cidade afinal, tudo era uma novidade. No entanto, eu e um grupo de pessoas preocupadas com a garantia dos direitos das crianças e adolescentes procuramos a secretária e seus diretores e colocamos a opinião contrária ao que era um incentivo ao trabalho infantil e cobramos a efetivação dos direitos. Imediata e humildemente, a secretária e seus auxiliares trataram de ir buscar as parcerias com os governos estadual e federal para a implantação dos programas de proteção à criança e ao adolescente em nossa cidade, substituindo o antigo pensamento de ‘ocupar as crianças com trabalho’. Eis uma grande diferença: hoje, ai de quem se dirigir a determinadas secretarias para opinar contrariamente no que quer que seja. Não aceitam negativas, não aceitam críticas e acreditam cegamente que tudo o que fazem é irretocável e que qualquer um que discorde merece ser destratado. São os retratos da arrogância.

4- PAREDÃO DO POVO:Na sua concepção, houve ou há um racha no Grupo Mendonça?

R: Ninguém precisa entender muito de política para saber que existe sim um racha. Eu diria que o grupo hoje é como um castelo de cartas sobre as quais o vento fatídico ainda não se abateu.

5- PAREDÃO DO POVO:Na sua opinião, quem é João Mendonça?

R: É um homem que conseguiu abrir seu espaço na política belo-jardinense com muito sacrifício e, embora o seu tio acredite que foi o único e exclusivo responsável por fazer de João Mendonça um político, creio que o grupo só acertou o passo rumo às vitória em Belo Jardim a partir da aproximação de JM com o povo (principalmente com a juventude) desfazendo parte da imagem de ‘partido de elite’ que o grupo sempre teve.

Ele, como todos nós, tem suas virtudes e defeitos. Não podemos dizer que é santo, tampouco que é mau. Conheci JM ainda muito jovem e posso afirmar que ele cresceu bastante nesses 18 anos desde que disputou sua primeira eleição. Acredito que é uma evolução normal do ser humano: melhorar com o tempo. Como político, creio que o povo mesmo respondeu se gosta ou não dele quando o elegeu e reelegeu, elegeu aquele a quem ele pediu um voto com seu sucessor e ainda deu uma expressiva votação a ele em 3 de outubro. Por fim, tenho e desejo manter uma amizade com João Mendonça, mesmo que nossos caminhos se afastem na política.

6- PAREDÃO DO POVO:Para você, quem é Marco Coca-cola?

R: Em relação à pessoa dele, não posso falar por não conhece-lo bem. No entanto, sugiro a qualquer pessoa que queira saber algo que procure saber de pessoas que já trabalharam com ele o que elas pensam dele. E tire você mesmo suas conclusões. Quanto ao administrador público, basta circular pela cidade para concluir que o fato de se dizer que ‘fulano’ é um bom administrador, ou empresário de sucesso, não é motivo suficiente para eleger esse ‘fulano’ prefeito. Que nos sirva de exemplo.

7 – PAREDÃO DO POVO:Que nota você daria ao governo marco Coca-cola?

R: Este governo é inclassificável. No entanto, para ser coerente por sempre ter dado nota zero ao governo Cecílio Galvão, eu tenho, obrigatoriamente, que dar uma nota menor que zero à atual administração. Venhamos e convenhamos, é necessário reconhecer que os dois primeiros anos do governo Cecílio levavam a crer que ele faria um excelente governo. Bem diferente desse, que em menos de dois anos, já disse a que veio

8 – PAREDÃO DO POVO: Tem se falado muito em demissões por esses dias. Se confirmado, o que você acha disso?

R: Primeiro é preciso que os ‘cabeças’ do grupo venham a público se desculpar por terem enganado os contratados para segurar os votos. Se as demissões vão acontecer pelo motivo alegado de ‘descumprimento do limite de gastos com pessoal’, o limite não foi ultrapassado do dia 3 de outubro pra cá. Então, fica comprovado que houve a intenção de ludibriar o servidor/eleitor.

Segundo: Essa é a terceira leva de demissões no atual governo. E, parafraseando nosso presidente, “nunca antes na história de Belo Jardim se demitiu tanto servidor”. Essa tem sido a maior ação desse governo. Presume-se, dado o silencio dos líderes do Grupo Mendonça, que concordam plenamente com as mesmas. E o servidor que se vire.

Agora é preciso cobrar dos vereadores, tanto do grupo como da oposição, que se pronunciem quanto às demissões. É preciso agir contra a ilegalidade das demissões em período eleitoral. Tais demissões são flagrantemente ilegais. Há notícias de gestantes demitidas, servidores em licença médica, etc. Embora o poder público tenha a prerrogativa de cancelar contratos a qualquer momento para atender aos interesses públicos, os gestores também são obrigados a observar as normas vigentes. Aproveitam-se da boa fé dos demitidos que, na esperança de voltarem ao serviço depois de algum tempo, não vão à busca dos direitos que têm.

É preciso que cada servidor/eleitor prejudicado guarde bem essa fatura para cobrar em 2012.

9 – PAREDÃO DO POVO: Então, você acha que os vereadores também são responsáveis pelas demissões?

R: Já diz o dito popular que “quem cala, consente”. Então, se o caos se instalou no município ao ponto de consumir mais 70% das receitas tributárias com gastos de pessoal, presume-se que o executivo está fazendo o que bem quer com as finanças municipais e o legislativo não fiscaliza. Além do mais, continuo dizendo que o silêncio dos vereadores em relação às levas e mais levas de demissões promovidas pela prefeitura vai custar caro nas próximas eleições.

10 – PAREDÃO DO POVO:Em relação aos vereadores da oposição, o que você acha da postura?

R: É muito difícil ser oposição. Principalmente quando se tem a minoria. Este não é o caso de Belo Jardim. Pela primeira vez em muitas décadas uma oposição tem número suficiente para aprovar a criação de qualquer CPI. No entanto (e dado os rumores de favorecimento a alguns pela prefeitura) duvido que alguém peça a instalação de uma CPI e, se o fizer, duvido que obtenha o número necessário de votos (4) para instalá-la. Há muitos interesses escondidos atrás de cada voto na casa Custódio Ferreira. Creio que 2012 trará um cenário propício a uma renovação em massa daquela casa. Só vai depender do eleitor.

11 – PAREDÃO DO POVO: Você acredita que existem motivos para criação de CPI no município?

R: É o mesmo que perguntar se gato gosta de carne. Motivos não faltam. O que falta é um representante do povo no legislativo ter a coragem de propor e outros 3 de aceitar. Dê uma volta na cidade e você verá o abandono das ruas na pavimentação esburacada, na iluminação inexistente, na contratação irregular de profissionais médicos, na falta de um bom atendimento hospitalar, e tantos outros assuntos que poderiam vir à baila se houvesse interesse daqueles a quem o povo elegeu para fiscalizar o executivo. E creio que quando o povo não deu a maioria do legislativo ao prefeito, queria exatamente garantir esse cuidado. Coisa que não tem havido.

12 – PAREDÃO DO POVO: Ainda sobre o governo Marco Coca-cola, vamos falar do secretariado e diretores:

a) Educação?

R: É uma secretaria de grande porte, com muitos recursos próprios e muitos problemas para serem administrados. Conheço de longas datas o secretário Wilson Maciel e sei que é um jovem competente e cheio de idéias. A secretaria conta com uma equipe muito dedicada e esforçada e, por isso mesmo, tem conseguido fugir do abismo para onde caminha a administração. Entretanto, acredito que os problemas vão se alargando de tal forma que não será possível sustentar o barco por todo o mandato do atual governo. Diria que é uma secretaria que tem tido muita competência em passar uma boa imagem à população, apesar de não se encontra em um mar de rosas.

b) Infra-estrutura e obras?

R: É também uma secretaria grande e com uma responsabilidade enorme que vai da coleta do lixo à reposição de calçamento. Conhecendo como conheço a secretária Joedna, acredito que haverá sempre o desejo de acertar. Porém, é muito difícil realizar um bom trabalho quando se está amarrado. Os grandes problemas sem solução e as inúmeras queixas existentes em relação à secretaria são frutos do centralismo exacerbado da atual administração, onde os secretários não têm autonomia para comprar um parafuso. Assim não vai andar nunca.

c) Saúde?

R: Uma secretaria complexa que atua na mais sensível área: a emoção das pessoas. Uma estrutura que depende, mais que de máquinas e equipamentos, de pessoal capacitado e motivado para atender à população. Merecidamente deveria receber atenção especial de todo e qualquer governante. Infelizmente, hoje a secretaria de saúde também é atingida pelo centralismo governamental e não tem, sequer, controle sobre o hospital. Assim, fica muito difícil trabalhar e atender eficazmente a população, já que quem é da área da saúde não tem vez nem voz nas decisões.

d) Indústria e Comércio?

R: Se a razão de ser dessa secretaria é fomentar a atividade industrial e comercial em nosso município, ela deve explicar aos cidadãos os motivos que estão levando a Palmeiron de Belo Jardim para o vale do São Francisco e as fórmulas para o comércio local não demitir funcionários em decorrência da queda nas vendas de fim de ano por conta da demissão em massa dos contratados do município.

e) Ação Social?

R: Essa secretaria é o principal foco de desestabilização política do governo municipal. Mas, é lá também que se encontram todos os seres perfeitos que habitam a terra. É ali que onde não há o que se melhorar, já que tudo é impecável. Dada a administração de recursos federais transferidos para os programas sociais, não se espantem se, muito em breve, assistirmos a aparição de alguns membros daquela equipe no noticiário nacional.

f) Agricultura?

R: Embora as notícias divulgadas sobre projetos e planejamento sejam as melhores possíveis (igualzinho a quem como pão seco sonhando com lasanha), o que nos salta à vista em relação a esta secretaria é o completo abandono da zona rural, o precário funcionamento da central de abastecimento, do matadouro e da feira livre. Então, não há nem o que falar a respeito.

g) Governo?

R: Trata-se de uma secretaria burocrática e, como tal, sou de opinião que não deve mesmo aparecer demais. Conheço e secretário da pasta e sei do seu potencial. Deve corresponder à pasta.

h) Secretaria da Mulher?

R: Quem conhece a titular da pasta sabe que trata-se de uma mulher aguerrida e com um extenso currículo de trabalho em Belo Jardim. A criação da secretaria veio atender aos anseios de parte da sociedade que cobra a efetivação de políticas públicas voltadas às mulheres. Entretanto, quando se manda um soldado para a guerra, deve-se dar a ele os meios para combater. De nada adianta criar a secretaria, pintar um prédio de rosa e botar uma equipe lá dentro e não destinar recursos para o seu funcionamento. Fica a secretaria de mãos atadas. Não há boa vontade que resista.

i) Cultura e Paisagismo?

R: é outra secretaria de seres onipotentes. Embora tenha entre seus integrantes pessoas de quem muito gosto, é necessário dizer que trata-se de uma secretaria ‘do invisível’: na gestão de João Mendonça não teve nenhuma ação cultural levada a cabo. Tinha, aqui e ali, um trabalho de paisagismo. Mas, até isso acabou no atual governo. Os projetos que ali intitulam como “culturais” servem apenas para que alguns poucos apareçam à custa dos verdadeiros artistas. Há dois locais em Belo Jardim onde se expõe artesanato. Alguém sabe como encomendar obras diretamente aos artistas que as produzem? Não. Aqueles são reféns de gente mais experta que eles. Cultura? Deixou de se mover naquela secretaria ainda na gestão passada e, na atual, está sendo enterrada de vez. Resultado do que já dizia Maquiavel sobre “não dar cargos a pessoas das quais não se pode toma-los de volta”. Aí alguém me disse, esses dias, que ‘ali ninguém tem poder para tirar a secretária. Respondi, simplesmente, que “o povo tem esse poder e ele poderá ser exercido nas urnas em 2012”.

j) Planejamento?

R: Se eu acreditar que os gastos com pessoal ultrapassaram os 70% da arrecadação tributária, como devo avaliar o planejamento do governo? Sem mais comentários.

l) Gestão Pública?

R: É ali que está o coração do governo. É ali que se contrata e se demite. Ali estão a Comissão de Licitação, o departamento de recursos humanos, a contabilidade, o departamento de tributos, entre outros também importantes. É preciso um olho técnico e outro político nessa secretaria. É preciso, além de tudo, que as decisões tomadas ali sejam tomadas com conhecimento da realidade local. Ora! A secretária atual, embora precedida da fama de competente, não seria capaz de achar sozinha o caminho de volta ao seu gabinete se a deixássemos no caminho da barragem, quem dirá conhecer a realidade de Belo Jardim. Aliás, seria necessário que ela cumprisse expediente diário em seu gabinete para poder compreender o dia-a-dia da cidade. Certa vez fui até o gabinete da secretária para entregar um documento e, quando ela chegou depois das 13 horas para começar o expediente, mandou me informar por uma atendente que “não tem nenhuma resposta para você” e fui obrigado a dizer à atendente que “ela realmente não tem porque eu não fiz nenhuma pergunta; gostaria apenas de entregar-lhe um documento e nada mais”, ou seja: estamos sendo administrados por gente que desconhece a cidade, que não anda nas nossas ruas, que não conhece o nosso povo e suas necessidades.

13 – PAREDÃO DO POVO: Que nota você daria a cada uma das secretarias?

R: Dentro de tudo o que já falei anteriormente, e lembrando que não estou avaliando os secretários, mas sim o desenvolvimento dos trabalhos que competem às secretarias, as notas seriam as seguintes:

Educação: 6

Infra-estrutura: 4

Saúde: 6

Indústria e Comércio: 2

Ação Social: zero

Agricultura: 1

Governo: 4

Secretaria da Mulher:5

Cultura e Paisagismo: qualquer nota menor que zero.

Planejamento: zero

Gestão Pública: a mesma nota de Cultura e Paisagismo.

14 – PAREDÃO DO POVO: O que você acha que está faltando na administração municipal?

R: Falta começar.

15 – PAREDÃO DO POVO: Então você acha que a administração ainda não começou?

R: Até agora o que temos visto é a cidade desmoronando, uma equipe que vive a despejar culpas na administração anterior, serviços mal feitos, gente sendo demitida, reclamações nos quatro cantos da cidade e falta de comando. Então, passados 22 meses do 48 da gestão, a única explicação possível para tamanho desastre é o governo não ter ainda decidido que rumo tomar.

16- PAREDÃO DO POVO: Você acha que é a equipe que atrapalha o prefeito ou o prefeito é que um trapalhão?

R: Não acredito que trapalhões possam chegar a cargos tão altos ou a posições sociais de destaque. Com certeza o prefeito não é um trapalhão. Muito pelo contrário, acredito que ele é muito mais que esperto. A equipe que o acompanha tem muita gente boa e competente. Porém, para mostrar competência é necessário que se tenha oportunidade de atuar. O grande entrave da administração está em algumas pessoas que detém o poder de intervir em tudo que órgão do município e que, esses sim, têm demonstrado uma total falta de traquejo para lidar com a coisa pública. São pessoas que tentam tocar a máquina pública como se fosse uma empresa particular e, como tal, têm feito muita coisa sem planejamento nenhum. Em outros casos, me reportaria à sabedoria popular que diz que “a raposa não deve tomar conta do galinheiro” e também “dize-me com quem andas e te direi quem és”. Se observarmos bem quem são as pessoas que detém o poder de ação e/ou paralisação na administração municipal, podemos ter uma idéia do que esperar do governo.

17 – PAREDÃO DO POVO: Em relação às festas tradicionais de nossa cidade, como você as vê tratadas pela atual administração?

R:Você pede que eu fale de quatro festas isoladamente, mas resposta será igual para todas: a atual administração não enxerga as festas populares como investimento, mas sim como gastos. Por aí, já se vê que as festas serão tocadas por obrigação até 2012. O Jardim Cultural 2009 teve só duas noites de festa e passou longe do que foi prometido na eleição pelo prefeito; a festa das Marocas, que vem perdendo suas características ano após ano, vem perdendo também sua história – hoje boa parte dos mais jovens desconhece totalmente a origem e o porquê de existir da festa – fruto da total falta de uma política cultural em nossa cidade; já as festas religiosas, que desde a idade média sempre tiveram a parte chamada ‘mundana’, têm sido completamente abandonadas pelo executivo. Numa cidade em que “cultura” não passa de um letreiro na fachada de uma secretaria, que não tem áreas públicas de lazer, que não apóia os artistas de teatro e dança, não promove festivais para incentivar a participação da juventude e onde as festas culturais são organizadas por qualquer secretaria, menos pela de cultura, onde há bairros que não dispõem de uma única praça para convívio de suas comunidades, as únicas oportunidades de diversão e acesso à cultura e a shows de artista aos quais a grande maioria jamais terá oportunidade de conferir fora de Belo Jardim se perde nas mãos de quem não dialoga com a população por que têm a certeza que bastam-se a si mesmos. E para o povo, e principalmente para a juventude ávida de experiência e diversão, o lazer que sobra são as mesas dos bares que transbordam em cada esquina como única fuga possível à realidade de uma cidade que nada os oferece.

18 – PAREDÃO DO POVO: Você tem reclamado muito da administração Marco Coca-cola. Por que você não fez o mesmo na administração João Mendonça?

R: E quem disse que não o fiz? Fiz sim. E muito. Quando Cecílio Galvão era prefeito não havia uma única oportunidade em que eu não reclamasse do que não concordava no governo. Fiz uma oposição, dentro do que me era possível, implacável àquele governo do qual discordava em todos os pontos. Ao compor a equipe de João Mendonça, as discordâncias passaram a ser apresentadas, por questão ética, dentro do grupo. Sempre defendi que quem não estivesse satisfeito com o governo, antes de falar mal pelas esquinas, deixasse o mesmo ou divergisse abertamente nas reuniões. E sempre fiz isso. Até por este posicionamento arrumei muitos desafetos no governo por divergir daquilo com o que não concordava quando outros optavam por calar – e nesses casos você não só se desentende com aquele de quem diverge como ainda ganha a antipatia de quem não teve a coragem para fazê-lo e sente-se envergonhado por isso. Para você ter uma idéia, na eleição de 2004, enquanto todos diziam o que o prefeito queria ouvir, de que “seria reeleito com mais de 5 mil votos”, eu e uma amiga fomos os únicos a dizer a ele, faltando 15 dias para a eleição, que ele iria perder se não mudasse o rumo da campanha. Foi fácil ir de encontro a figurões do partido que não admitiam o afundamento da campanha? Não. Mas foi necessário. O resultado mostrou quem estava certo.

Em relação ao atual governo, embora sempre vá haver desmentidos, não foram poucas as tentativas de me levar de volta à equipe governista – há poucos dias um membro do grupo me indagava que “o prefeito lhe chamou e você não aceitou, então não pode reclamar”, no que prontamente discordei: posso e vou continuar reclamando exatamente porque não me vendi; amanhã poderei olhar no olho de qualquer um dos muitos eleitores que sempre nos acompanharam e que hoje estão decepcionados com a administração e com o grupo que, por motivos diversos, permanece calado diante do caos administrativo por que passa nossa cidade. Alguns lacaios do poder tem me acusado, anonimamente, de agir por interesses difusos. Muitos deles eu já descobri quem são e me alegro por saber que permanecem sendo o que sempre foram: covardes. Nem tem coragem para agir dentro do governo por mudanças, tampouco a tem para defender o governo publicamente. Alguns, inclusive, ouvi dizer que estão na suposta lista de demissões que está vindo. Talvez sintam na pele o que outros tantos amigos já sentiram desde o início do governo. E talvez agora passem a admitir que o governo não presta. Aí, sim, em causa própria.

19 – PAREDÃO DO POVO:Por falar em não se alinhar com o governo Marco Coca-cola, o que você pensa da saída de Jadilson Gonçalves da equipe do governo?

R: Josué, falar de assuntos particulares alheios não é da minha natureza. Li a entrevista que ele concedeu ao seu blog e entendo perfeitamente cada uma das palavras ali colocadas.

Conheço os motivos que o levaram a pedir demissão do cargo de diretor e sei que o que foi posto na entrevista é verdadeiro. Porém, não é tudo. Por entender que o que não foi dito na entrevista é algo de cunho estritamente pessoal, só a ele caberá tornar público. É um direito só dele respeito profundamente.

O que posso comentar a respeito comenta com um versículo bíblico que, para mim, tem um significado muito abrangente: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8:32).

Quando friso que nem tudo foi dito, não acuso o amigo por qualquer ato negativo. Muito pelo contrário, entendo ser questão ética deixar que determinados assuntos sejam discutidos internamente, afinal ele ainda é um soldado do Grupo Mendonça.

Comigo, que conheço todos os motivos, com e decisão de entregar o cargo, Jadilson só cresceu no meu conceito e ganhou muitos pontos comigo.

20 – PAREDÃO DO POVO: Você acha que Marco Coca-cola foi um presente de grego para o Grupo Mendonça?

R: Os gregos deram o famoso presente aos troianos, não a eles mesmos. Se for para fazer analogia com o Cavalo de Tróia, quem teria recebido o tal presente é o povo de Belo Jardim e nós, que fomos às ruas pela eleição do atual prefeito é que seríamos os gregos. Para o Grupo Mendonça, ao que me consta, não há qualquer problema com a administração e dessa forma não há que se falar em prejuízos para o grupo. Por acaso alguém já viu um ‘grandão’ do grupo reclamando publicamente do governo? Então está tudo certo. Errado estou eu e a cidade, que estamos reclamando.

21 – PAREDÃO DO POVO: Sobre as eleições 2010, que ainda não terminou, o que você tem a comentar sobre o resultado em Belo Jardim?

R: Para mim não houve surpresa em relação às urnas locais: João Mendonça foi o mais votado, os votos do Grupo Galvão foram divididos entre Cecílio e Leonardo, e muitos candidatos beliscaram votos por aqui. O que devemos ter consciência, a partir de agora, é que os votos de Belo Jardim, sozinha, não elegem mais 1 deputado e que quem quiser se eleger terá que buscar votos em outras cidades, de modo que não devemos reclamar de gente que vem buscar votos aqui. Seria incoerente aceitar os votos de fora e não aceitar os candidatos de fora.

As votações dos candidatos a federal ficaram dentro do esperado também e as esmagadoras votações de Eduardo e Dilma em Belo Jardim foram reflexos da falta de campanha da oposição.

22 – PAREDÃO DO POVO: E sobre a votação dos estaduais fora de Belo Jardim?

R: Se analisarmos sem paixões, veremos que houve ações do governo estadual no intuito de eleger Cecílio Galvão. Talvez por uma questão de articulação fora do município não se alcançou o objetivo, ou até mesmo as tais ações não tenho acontecido a contento. Já João Mendonça, embora isso jamais seja dito e admitido em público por ele ou por outros do grupo, foi abandonado à própria sorte e isso já não é mais nem assunto pra debate.

23 – PAREDÃO DO POVO: Então você acha que faltou apoio do Grupo Mendonça fora de Belo Jardim para João Mendonça? E aqui, houve traições?

R: O Grupo Mendonça teve votos para eleger dois federais e não teve votos pata eleger dois estaduais (o outro, eleito, é Edson Vieira, de Santa Cruz do Capibaribe). Imagine que aqui em Belo Jardim, principal base de João, não havia material de campanha para distribuir e muito do pouco que apareceu foi bancado por amigos que se cotizaram para ajudar na campanha. Agora faça uma idéia das dificuldades que devem ter sido fora de Belo Jardim. Aqui mesmo teve muita gente da administração e até secretários que trabalharam para tirar votos de João Mendonça. Só para você ter uma idéia, sabedores que eram da escassez de material na campanha e sabendo que chapinhas com as fotos de João Mendonça seriam espalhadas nas ruas após as duas da manhã do domingo de eleição, convocaram na surdina uma equipe de garis para que, tão logo o material fosse espalhado nas ruas, as mesmas fossem varridas, mandando ao lixo todo o trabalho junto com o parco material. Então, se você me pergunta se os candidatos foram abandonados fora de Belo Jardim, eu diria que sim. João Mendonça mais que Cecílio. Mas foram. Já aqui, Cecílio recebeu uma oposição aberta e pública de parte do próprio grupo. Já João, enfrentou a oposição covarde e escondida de membros da equipe de Marco coca-cola.

24 – PAREDÃO DO POVO: Ainda sobre 2010, você votou em Marina Silva no primeiro turno. Pode revelar em quem vai votar no segundo?

R: Confesso que estava indeciso até o início da semana. Não vejo com bons olhos nenhum dos candidatos que sobraram como opção, mas também não me imagino votando em branco ou anulando o voto e deixando que os outros decidam por mim. Se fosse para escolher entre as personalidades a que mais me agrada, meu voto seria para Serra; já se fosse optar pelo projeto de governo que cada um representa, a opção seria por Dilma. A cada dia mais indagações sobre ambos me vinham à cabeça e eu não me decidia. Aconteceu que, relembrando as políticas tocadas pelo governo FHC e pelo governo Lula em relação ao acesso ao ensino superior e técnico, às áreas sociais e, principalmente sobre a forma como “percebem as pessoas mais que as coisas”, deparei-me com as notícias de centenas de demissões na prefeitura de Belo Jardim e acordei para lembrar que essa é a política dos que acompanha Serra nessa corrida eleitoral: o primeiro corte de despesas é sempre no servidor. Pode parecer um pensamento simplório mas, dentro de muitos prós e contras que tenho aos dois candidatos, esse ponto pesou e vou votar em Dilma no próximo dia 31. Não é um voto com paixão, nem com emoção. É um voto crítico. Tenho alguns temores em relação à pessoa da candidata Dilma, mas prefiro apostar no que o futuro me trará, que apostar no que o passado já me provou.

25 – PAREDÃO DO POVO: E em 2012, quem você acha que serão os candidatos?

R: Ainda tem muito chão até lá para ser percorrido. Por enquanto, só Zé Mendonça admitiu que está candidato; Moacir Cintra foi lançado candidato por Valdemir Cintra, mas prefiro esperar ouvir o pronunciamento do próprio a respeito; pelo Grupo Galvão, os correligionários só falam no nome do ex-prefeito Fábio Galvão; já João Mendonça é o preferido do eleitorado do grupo, mas não acredito que venha a ser candidato.

26 – PAREDÃO DO POVO: Quais as chances de cada um?

R: Quando se trabalha um cenário hipotético sempre tomamos por base algo mais palpável. Assim, considerando o resultado das urnas este ano, vejo a possível candidatura de Fábio Galvão com bastante potencial. Porém, observando que em 3 de outubro o eleitor do Grupo Mendonça saiu de casa para votar, majoritariamente, na chapa completa do grupo, vejo a candidatura de Zé imbatível pela divisão do Grupo Galvão e reafirmo que, separados, não tiram a prefeitura das mãos dos Mendonça. Só vejo dois caminhos imagináveis: a reunificação do Grupo Galvão com o G3, ou a divisão do Grupo Mendonça. A primeira hipótese é também a mais provável de acontecer, já que uma divisão do Gruo Mendonça – que deixaria a disputa em pé de igualdade entre os postulantes – só aconteceria se João Mendonça fosse candidato contra o próprio tio (o que seria o rompimento). Para que isso acontecesse, teria que existir as condições de elegibilidade a João Mendonça. Ou seja: o G3 tem nas mãos a possibilidade de rachar o Grupo Mendonça, mas também dariam a chance a um candidato que passaria a ser o mais forte.

Creio que o G3 viverá uma encruzilhada muito em breve: dar condições a João Mendonça de ser candidato a prefeito, rasgando o Grupo Mendonça ao meio, aprovando suas contas na Câmara; ou partem para o enfrentamento a Zé Mendonça com o Grupo Mendonça unido em torno do seu nome, disputando a mesma faixa de votos com o candidato de Cintra Galvão? As estratégias, afinal, serão decididas pelas raposas felpudas.

27 – PAREDÃO DO POVO: Você revelaria em quem pretende votar para prefeito em 2012 e qual o motivo?

R: Como disse anteriormente, até agora só temos uma candidatura lançada de público. Assim, prefiro não me precipitar em assumir compromisso. Será preciso maturar bastante a escolha para não escolher mal novamente. Os nomes colocados merecem ser apreciados e sabemos que todos têm seus méritos. De saída, vejo a necessidade que cada um deles terá em explicar determinadas coisas: o empresário Moacir Cintra mostrar que merece um vota por algo mais que o seu currículo de administrador de sucesso (até porque o exemplo que temos não é bom), Fábio Galvão nos convencer do porquê de conduzi-lo mais uma vez à chefia do executivo municipal, e Zé Mendonça nos convencer do porquê que em 2008 não devíamos votar em Cintra Galvão por ser a hora de entregar os destinos políticos aos mais jovens, segundo suas próprias palavras reproduzidas durante todo aquele ano, e 4 anos depois devemos votar nele, que terá a mais idade que Cintra naquela época.

De uma coisa eu tenho certeza: por uma questão moral, por coerência e pó ter vergonha na cara, não votarei em nenhum candidato que estiver no palanque do atual prefeito. Ponto.

28 – PAREDÃO DO POVO: Suas considerações finais?

R: Agradeço pelo espaço no seu blog e espero ter contribuído, de alguma forma, para o bom debate que devemos travar pelos nossos destinos. Quero felicitar você por ter hoje o blog mais lido e comentado de Belo Jardim e relevar a importância que essas novas mídias têm tido para levar uma informação mais livre a todos. Desde já me coloco à inteira disposição para qualquer outro esclarecimento. Um grande abraço a todos.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

ADEUS, 'DEMINHO'!

As informações que circulam no meio político brasileiro dão conta de que, após a eleição, é irreversível a fusão dos partidos PMDB e DEM.

O que será que vai dar um 'saco de gatos' desse?

E qual será o nome do novo partido saído dessa união?

Aqui, apostamos nesse:

PANDEMÔNIO

Calendario